Quando estou contigo fico sempre com a sensação que o que é importante para ti e para mim nunca é dito. Estou-me a incluir neste novelo que não sei onde começa de coisas que não são ditas, que ficaram por dizer, outras que ficam a pairar na pele, por vezes de aproximação por vezes de afastamento. Há vezes fico com tensão e desconforto, outras fico com o que poderia ter sido… A sensação de oportunidades perdidas, a frustação de estar ao pé de ti e de estar sempre a perder. É como querer agarrar algo elusivo que me escapa por entre os dedos. Falamos de tudo mas nunca falamos de nós. Estamos juntos mas a proximidade é separada pelo silêncio de não sabermos estar um com o outro, das sensações e sentimentos que ficam sem nome, pairando no limbo que adensa a incompreensão. Imagino como seria bom podermos confiar as nossas emoções um ao outro com a segurança da aceitação, compreensão e apoio mútuos, sem que isto fosse confrangedor ou incómodo. Como seria se pudessemos relaxar e apreciar a companhia mútua sem agenda mas com deleite de permitir estar? De saber interiormente que colocamos o bem estar um do outro com a prioridade de um bem querer mútuo. De sentir a confiança que o que é dito e feito vem da boa fé de bem querermos um ao outro e não das nossas feridas não assumidas. De sentirmos seguros e queridos na presença um do outro. De sentir a força que brota dessa segurança e que permite abrir as fragilidades do coração, sem medo de ser mais ferido e de causar mais dor. É como o querer proteger algo que apreciamos, digno de admiração, protecção e carinho. Algo muito precioso que vemos um no outro. Será que ainda é possível dizer o que não foi dito? De partilhar o que não foi partilhado? De encontrar o espaço de encontro comum em que possamos olhar, olhos nos olhos, um sorriso largo que vem do coração que está aberto e não tem medo de perder a vida?
Jaime Graça




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