Não Dito

Quando estou contigo fico sempre com a sensação que o que é importante para ti e para mim nunca é dito. Estou-me a incluir neste novelo que não sei onde começa de coisas que não são ditas, que ficaram por dizer, outras que ficam a pairar na pele, por vezes de aproximação por vezes de afastamento. Há vezes fico com tensão e desconforto, outras fico com o que poderia ter sido… A sensação de oportunidades perdidas, a frustação de estar ao pé de ti e de estar sempre a perder. É como querer agarrar algo elusivo que me escapa por entre os dedos. Falamos de tudo mas nunca falamos de nós. Estamos juntos mas a proximidade é separada pelo silêncio de não sabermos estar um com o outro, das sensações e sentimentos que ficam sem nome, pairando no limbo que adensa a incompreensão. Imagino como seria bom podermos confiar as nossas emoções um ao outro com a segurança da aceitação, compreensão e apoio mútuos, sem que isto fosse confrangedor ou incómodo. Como seria se pudessemos relaxar e apreciar a companhia mútua sem agenda mas com deleite de permitir estar? De saber interiormente que colocamos o bem estar um do outro com a prioridade de um bem querer mútuo. De sentir a confiança que o que é dito e feito vem da boa fé de bem querermos um ao outro e não das nossas feridas não assumidas. De sentirmos seguros e queridos na presença um do outro. De sentir a força que brota dessa segurança e que permite abrir as fragilidades do coração, sem medo de ser mais ferido e de causar mais dor. É como o querer proteger algo que apreciamos, digno de admiração, protecção e carinho. Algo muito precioso que vemos um no outro. Será que ainda é possível  dizer o que não foi dito? De partilhar o que não foi partilhado? De encontrar o espaço de encontro comum em que possamos olhar, olhos nos olhos, um sorriso largo que vem do coração que está aberto e não tem medo de perder a vida?

Jaime Graça

Publicado em: on 12 Junho 2008 at 9:05 Comentários (0)
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Coração

Parasempre - Maria João Fernandes

Tum-tum, tum-tum, tum-tum.

Aahhh!

Tum-tum, tum-tum.

Aahhh!

Pela primeira vez percebeu o que era estar vivo. Vida e bater de coração são sinónimos.

Tum-tum, tum-tum, tum-tum.

Vida, vida, vida.

Tudo o resto recedeu para pano de fundo, menos importante.

Agora de olhos fechados deleitava-se com o bater do seu coração. Do seu coração. Só que a batida do seu coração não era sua, era primordial, sem tempo, de todos e de ninguém, ecoando pelos quatro cantos da terra, orquestrando a canção da vida.

Neste momento teve uma epifania e, percebeu, que estava ligado a tudo e a todos, que nada estava separado do seu coração. Ficou frágil para receber o sofrimento e o amor, tanto seu como o dos outros, numa amálgama indistinta desse coisa chamado vida.

A partir desse dia começou a sorrir, a sorrir para a vida.

 

Jaime Graça

 

Publicado em: on 18 Maio 2008 at 22:35 Comentários (0)
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Inspiração

O nosso maior medo não é o de sermos incapazes.
O nosso maior medo é descobrir que somos muito mais poderosos do que pensamos.
É nossa luz e não nossa escuridão, aquilo que mais nos mete medo.
Questiona-mo-nos: quem sou eu para ser isso? Para ser brilhante, sedutor/a, talentoso/a, fabuloso/a?
Na verdade, quem és tu para não seres? És um/a filho/a de Deus.
Quando fazes o jogo de não sobressair não estás a ajudar o mundo.
Não existe nada de luminoso em nos diminuirmos para que os outros não se sintam inseguros ao nosso lado.
Nascemos para manifestar a glória de Deus que está em todos e não apenas em alguns eleitos.
E quando deixamos a nossa luz brilhar, damos permissão inconscientemente para que os outros também façam o mesmo.
Quando nos libertamos do nosso próprio medo, a nossa presença automaticamente liberta os outros!

Marrianne Williamson
Publicado no seu livro “Return to Love”

Publicado em: on 10 Maio 2008 at 0:09 Comentários (0)

Medo das Emoções

Quem tem medo das emoções?

Quando passa por estados emocionais muito fortes, será que você luta consigo próprio para tentar aceitar aquilo que estar a sentir? Para tentar saber aquilo que está a sentir? Se a sua resposta é sim, pode ter a certeza que não está sozinho. Muitas pessoas lutam contra as suas próprias emoções como se fosse algo inconveniente, inapropriado e a descartar o mais rapidamente possível. Lutar com as nossas próprias emoções é talvez o problema mais comum que existe e é também uma das coisa mais importante a aprender. Isto se queremos aprender a viver bem connosco próprios.

As nossas emoções e sentimentos são muito importantes, porque nos ajudam a conhecermo-nos a nós mesmo e a relacionarmo-nos com profundidade e intimidade com as outras pessoas. Quase todos os problemas de natureza psicológica têm a sua origem em algum tipo de distorção ou negação das nossas próprias emoções e sentimentos.

O problema de negar, evitar e esconder emoções e sentimentos

O problema de negar, evitar e esconder emoções e sentimentos é conhecido de todos nós, desde o menino que não deixa que as suas lágrimas corram com medo de ser chamado de “mariquinhas” (então, em vez disso, ele bate em alguém que está perto), passando pela menina que tem medo de expressar clara e abertamente a sua raiva com medo de ser vista como uma maria-rapaz (então em vez disso arranja intrigas acerca das suas colegas ou dirige a sua raiva contra si própria). Isto pode ser visto no homem adulto que tem receio de dizer como se sente, com medo de parecer “gay” (então, em vez disso, enterra-se no trabalho e negligencia a sua parceira) ou pode ser visto na mulher que não é capaz de dizer “não”, porque tem medo de situações de conflito (então em vez disso acaba por ficar ressentida em relação às outras pessoas). Até temos exemplo disto dentro das nossas próprias cabeças quando não reconhecemos a nossa própria vulnerabilidade e medos e, em vez disso, agimos de modo agressivo e violento.

Rebaixar e ridicularizar

Quando as pessoas são rebaixadas ou ridicularizadas por exprimirem os seus sentimentos e emoções é comum verificarem que as suas emoções e sentimentos se intensifiquem. Há tendência para que emoções e sentimentos escalem e fiquem fora de controlo, podendo levar a comportamentos agressivos e ou violentos. Isto acontece porque as pessoas não se sentem ouvidas nem aceites. É natural que elas se sintam mais fortemente emocionadas quando não são ouvidas.

Bem disposto? – Sempre!

Também há pessoas que aprendem a suprimir e a negar os seus sentimentos através de distanciamento e insensibilização em relação a eles. Autodesligam-se dos seus sentimentos sem, contudo, terem consciência disso. Assim, quando essas pessoas são recompensadas socialmente por mascararem as suas emoções, acabam muitas vezes sentindo-se não ouvidas, alienadas, zangadas e deprimidas, sem saberem porquê. As suas vidas podem até parecer correr às mil maravilhas, mas elas sentem-se vazias, não preenchidas. Isto porque estão separadas das suas próprias emoções.

Que fazer com as emoções?

O primeiro passo na gestão das nossas próprias emoções e sentimentos é aceitá-las sem juízos de valor nem de culpabilidades. Ao aceitar as suas emoções e sentimentos está também a aceitar uma parte de si, cheia de força de viver, cheia de sabedoria sobre si próprio e sobre a qualidade das relações que estabelece com os outros, em especial de quem mais ama.

Publicado em: on 9 Maio 2008 at 23:56 Comentários (0)

Harmony: The Quest For Companionship

Harmony: The Quest For Companionship was born out of my interest in Comparative Mythology and the Hero’s Journey, the ideas presented by C.G. Jung in the Collective Unconscious, as well as Joseph Campbell.

It all began by a great research on the topic, trying to focus in the most important and relevant points of someone’s (the hero’s) journey.

The animation process was long and hard for me, since I had little to no experience in classical animation, but the chances it gave me were amazing! The project was completed successfully and on time, giving me a nomination for Best Project Management! - which is kind of silly, really…

I hope you all find this a little interesting :) Please, comment!!

Written, Animated, Directed, Produced by Amy Wong

Publicado em: on at 23:43 Comentários (0)

Emoções: Aprenda o Que Está a Sentir…

Por Jaime Graça Machado, Psicoterapeuta / Executive Coaching, 2005

Lembra-se daquela ocasião em que tinha consciência que estava a sentir algo, mas não sabia exactamente o que estava a sentir? Queria dizer o que estava a sentir, mas não conseguia encontrar as palavras para descrever a emoção? Você não está só. Identificar as nossas próprias emoções pode ser um processo bastante confuso.

O processo de identificar as nossas próprias emoções pode ser comparado ao de um pintor amador que começa a aprender a dar nomes às cores básicas para depois poder compor os diferentes tons e nuances.

Assim como nas cores, alegria e emoção sexual. As emoções secundárias, tal como nas cores, são obtidas através da combinação das emoções primárias, gerando assim diferentes emoções e experiências. Por exemplo, a culpa é uma combinação de medo e raiva em diferentes proporções – pode sentir principalmente medo e estar um pouco irritado ou principalmente zangado e um pouco assustado. A vergonha é uma combinação de tristeza e medo. A inveja é uma combinação de tristeza e raiva.

Outra maneira de estarmos mais conscientes das emoções que estamos a sentir é através das sensações que estamos a ter no nosso corpo. Existe uma ligação entre as nossas emoções e o nosso corpo. Cada emoção primária cria no nosso corpo sensações corporais. Assim, “sintonizar” as sensações que está a ter no corpo pode ajudá-lo a identificar o que está a sentir a um nível mais profundo. Isto também leva ao assumir responsabilidade sobre aquilo que está a sentir. Dito de outro modo, em vez de as emoções o terem a si, é você que tem as emoções.

Muitas pessoas perguntam: “O que fazer com as minhas emoções?” A melhor coisa que pode fazer é identificar a emoção primária que está a ter e senti-la. Para conseguir fazer isso é uma boa ajuda manter-se consciente das sensações corporais que está a ter e também manter-se centrado.
Para identificar a emoção primária, tome atenção ao que está a sentir no seu corpo. Depois leia a tabela seguinte (Hendricks & Hendricks,1993) para o ajudar a clarificar a emoção que está a sentir.

 

Emoção Localização no Corpo Possível Sensação
Tristeza garganta nó, aperto
peito pressão, dor contínua e chata
barriga vazio
Raiva parte de trás do pescoço cordas de tensão muscular, nós
musculares
cabeça têmporas latejantes, maxilares cerrados
ombros encolhidos e tensos, bloqueados
braços e mãos puxados para trás, curvados
Medo área da barriga “borboletas” no estômago, agitação,
tremor, contracção, sensação de peso, enfartado
cabeça e face tonturas
peito, garganta falta de ar
face tensão à volta dos olhos e boca; boca
seca
Emoção Sexual genitais afluxo, cheio
baixo ventre “dor” agradável
parte da frente do corpo calor
Alegria área do peito espaço, expansividade
olhos brilho, claridade, luz
parte da frente do corpo Borbulhante, riso interior contagiante

 

Podem existir emoções que experimente e que não estejam na lista acima. Quando sentir uma emoção que não esteja na lista acima, faça o seguinte: “sintonize-se” consigo próprio e gaste algum tempo a identificar cada emoção primária e se está ou não a sentir alguma delas. É comum sentirmos mais de uma emoção ao mesmo tempo e pode tornar-se algo complicado mas não impossível tentar diferenciá-las. Identificar a emoção principal ajuda a simplificar o processo e a ir mais fundo na compreensão e aceitação das nossas próprias emoções.

Referências: G. Hendricks, Ph.D. & K. Hendricks Ph.D., Centering And The Art Of Intimacy Handbook, Fireside, NY, 1993.

Publicado em: on at 23:26 Comentários (0)

Evitar a Experiência Presente

Consciente ou inconscientemente por vezes evitamos a experiência do presente. Pura e simplesmente não estamos lá. É como os inglese dizem em tom de laracha: “As luzes estão acesas mas não está ninguém em casa”. A parte triste é muitas vezes hipotecamos partes das nossas vidas, decidindo não viver o presente. Depois, mais tarde, temos dificuldade em lembrar como era a pessoa com quem falamos, o que tinhamos sentido ou mesmo o que fizemos. Pois é, isto são sinais claros de não termos estado lá e, para tornar as coisas mais simples seguem alguns exemplo de “Como Não Estar”:

- Repetição da História, Contar Histórias e Antecipação. Em geral indica resistência para trabalhar com emoções e sentimento no momento presente.

- Sobrismo. Refere-se à procura das explicações causais - como que à procura de uma ideia (insight) “sobre” o problema, tentando encontrar um remédio para ele. Em contraste a Gestalt dá ênfase ao dar-se conta dos sentimentos e emoções no presente i.e. a experiência do que se está a passar em vez da interpretação essa mesma experiência.

- Devismo. É uma abordagem que envolve juízos de valor sobre partes de nós próprios que são consideradas inadequadas. Emerge como um conflito frequente no caminho de desenvolvimento espiritual e em comunidades espirituais - em relação a crenças dogmáticas, atitudes e expectativas do próprio e dos outros. Muitos de nós desenvolvemos uma relação ficcional com quem pensamos que devemos ser em vez de uma relação real com quem somos.

- Manipulação. Pode tomar uma forma subtil de dizer ou fazer a coisa certa, com o objectivo de parecer bem, para ser um bom rapaz ou uma boa rapariga ou para alcançar um bom nível de desempenho.

Publicado em: on at 23:18 Comentários (0)

Quero amar-te sem asfixiar…


Quero amar-te sem asfixiar,
apreciar-te sem julgar,
unir-me a ti sem escravizar,
convidar-te sem exigir,
deixar-te sem me sentir culpado,
criticar-te sem ferir,
e ajudar-te sem menosprezar.
Se posso ter o mesmo de ti,
então podemos realmente nos encontrar,
e enriquecer mutuamente.

Virginia Satir

Publicado em: on at 23:08 Comentários (0)

Autobiografia em Cinco Capítulos

Capítulo 1
Vou a andar pela rua.
Há um grande buraco na calçada.
Caio.
Sinto-me perdido. Não sei o que fazer.
A culpa não é minha.
Demoro séculos para sair dali.

Capítulo 2
Vou a andar pela mesma rua.
Há um grande buraco na calçada.
Finjo que não o vejo.
Volto a cair.
Não posso acreditar que tenha caído no mesmo lugar.
Mas a culpa não é minha.
Levo bastante tempo para voltar a sair.

Capítulo 3
Vou a andar pela mesma rua.
Há um grande buraco na calçada.
Vejo que está ali.
Caio… É o hábito.
Tenho os olhos bem abertos.
Sei onde estou.
A culpa é minha.
Saio rapidamente.

Capítulo 4
Vou a andar pela mesma rua.
Há um grande buraco na calçada.
Evito-o contornando-o.

Capítulo 5
Vou a andar por outra rua.

Referência: Sogyal Rinpoche, The Tibetan Book of Living and Dying

Publicado em: on at 22:47 Comentários (0)