Tum-tum, tum-tum, tum-tum.
Aahhh!
Tum-tum, tum-tum.
Aahhh!
Pela primeira vez percebeu o que era estar vivo. Vida e bater de coração são sinónimos.
Tum-tum, tum-tum, tum-tum.
Vida, vida, vida.
Tudo o resto recedeu para pano de fundo, menos importante.
Agora de olhos fechados deleitava-se com o bater do seu coração. Do seu coração. Só que a batida do seu coração não era sua, era primordial, sem tempo, de todos e de ninguém, ecoando pelos quatro cantos da terra, orquestrando a canção da vida.
Neste momento teve uma epifania e, percebeu, que estava ligado a tudo e a todos, que nada estava separado do seu coração. Ficou frágil para receber o sofrimento e o amor, tanto seu como o dos outros, numa amálgama indistinta desse coisa chamado vida.
A partir desse dia começou a sorrir, a sorrir para a vida.
Jaime Graça
