Coração

Parasempre – Maria João Fernandes

Tum-tum, tum-tum, tum-tum.

Aahhh!

Tum-tum, tum-tum.

Aahhh!

Pela primeira vez percebeu o que era estar vivo. Vida e bater de coração são sinónimos.

Tum-tum, tum-tum, tum-tum.

Vida, vida, vida.

Tudo o resto recedeu para pano de fundo, menos importante.

Agora de olhos fechados deleitava-se com o bater do seu coração. Do seu coração. Só que a batida do seu coração não era sua, era primordial, sem tempo, de todos e de ninguém, ecoando pelos quatro cantos da terra, orquestrando a canção da vida.

Neste momento teve uma epifania e, percebeu, que estava ligado a tudo e a todos, que nada estava separado do seu coração. Ficou frágil para receber o sofrimento e o amor, tanto seu como o dos outros, numa amálgama indistinta desse coisa chamado vida.

A partir desse dia começou a sorrir, a sorrir para a vida.

 

Jaime Graça

 

Publicado em: on 18 Maio 2008 at 22:35 Deixe um comentário
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